Adoro, sei lá por que,
Esse olhar
Meio escudo
Que não quer o meu álcool forte e sim água Perrier.
- Calcanhotto e Cícero.
Não sei porque, se é pelo calor, se é pelo álcool, se é pela falta de escrita, se é por não sentir tua pele há tanto tempo, só sei que minhas mãos andam secas, sujas, grossas, doloridas. Não sei se é por ficar longe das canetas pra aliviar minha dor, não sei se é apenas físico, calor ou a ressaca a tudo e a todos. Não sei se é sua culpa.
Sei que ando com as mãos duras de não te sentir, ainda que eu deixe de beber e elas deixem de ficar ressecadas pelo sol. Ando com esse vazio entre os dedos que acabo preenchendo com outros dedos, que não os seus.
De protetor a água Perrier, já usei de tudo aqui, nessa massa dura que insisto em chamar de mãos. Pinto as unhas para disfarçar essa falta. Rezo de mãos abertas para ver se esse seu Deus, tão ausente, leva embora esses seus dedos que continuam aqui quando sinto saudade.
Acaba, que no fim de tudo, no fim desses dias quentes, a falta de escrever, o sol, os drinks, o verão, o trabalho, a correria, os espaços novos que ocuparam você, todas essas coisas só me fazem esquecer dos cremes, da água Perrier, das canetas, lápis, telas e cores. As coisas acabam se resolvendo, mas elas ainda não me fazem esquecer de você.


